segunda-feira, 19 de outubro de 2009

sobrevivemos há tanto tempo

Eu ando meio sem rumo, distante daquilo que eu era. A espera de um motivo, de uma explicação. Querendo voltar para um lugar seguro. Querendo encontrar aquela porta que há tanto andou fechada.

Ir para um tempo repetido, empoeirado. Algo que me sugira o passado ao contrário do inovador. Acho que já não tenho perspectivas. Talvez esperanças.
Queria então a leveza de um pijama rasgado, o sabor de um jazz ao pé do ouvido.

Nem desistir, nem recomeçar... Não quero mais sustentar o peso da existência, vou é recriar a significância. Olhar as rugas do tempo e não querer tapar.
Abandonar as teoria, os princípios, os escrúpulos. Puxar um banco, esticar as pernas e continuar...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

princesas



Essa semana assisti a um filme espanhol chamado “Princesas” de 2005, que dentre a ótima trilha sonora, típica das películas latinas, os diálogos puros e cheios de frases de efeito me tocaram a fundo.

O filme está longe de ser genial, mas se torna lindo por ser extremamente reflexivo e tratar com tamanha delicadeza um roteiro triste e cruel. Afinal de contas a vida daquelas mulheres, está mais perto da nossa realidade do que se imagina. Seus sonhos são tão normais.
O filme retrata a vida de Caye, uma mulher de classe média, que ganha a vida como prostituta, escondida da família. Passa os dias em um salão de beleza se arrumando para as longas noites e falando mal das imigrantes que roubaram seus clientes. Em certa circunstância, ela acaba conhecendo uma dessas "profissionais estrangeiras", a dominicana Zulema, com quem acaba desenvolvendo uma rara amizade.

As amigas dividem as angustias que a vida lhes proporciona. Preenchem uma a tarde da outra com cafés regados a desabafos que buscam aconchego e paz em algum lugar distante... em algum tempo futuro. São demonstrações de fragilidade interpretadas de uma maneira tão real que tocam no ponto mais fraco de quem está do outro lado da tela: o sentimento de identificação.

Caye comenta – aí atenção para os seus olhos em cada fala – de seus dias de puta e do grande dia que ela sonha em viver, o dia de princesa. E isso não envolve nenhum luxo, ela só queria que o namorado a buscasse no trabalho. Nisso se resumia sua felicidade.

Outro diálogo emocionante é quando Zulema fala das saudades que sente do filho que ficou no seu país de origem, e Caye fala da tristeza que é não sentir saudades. As amigas discorrem então como esse é um sentimento controverso: dói sentir saudades, mas dói mais ainda não sentir. A falta de saudade representa um vazio, como se não houvesse momentos bons a serem lembrados...

Enfim, tem mais mil passagens lindas. Vale muito a pena conhecer um pouco mais de Caye e Zulema. Com o decorrer da trama você vai entender o porquê do nome do filme. Elas sim são princesas...

Abaixo 5 Razones de Manu Chao, parte da trilha:

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

seja egoísta

Se eu pudesse lhe dar um conselho, meu amigo, diria: seja egoísta. É o único jeito de não pisarem em você. Fique certo!
Nunca tenha medo que lhe julguem por isso. Mas não deixe de jeito nenhum que pisem em você. Não abra mão de seu tempo, gosto ou interesse. Não faça se não for por você mesmo. Azar que reparem! Se você não for individualista, não vai andar com a humanidade. Se você não for, alguém vai ser. E mais uma vez vão pisar em você. Então peço que não deixe que façam isso. Os danos são difíceis de reparar, lhe digo. É algo que se torna crônico, cíclico, e só você demora a perceber. Não se arrisque a fazer o bem, outrora lhe farão o contrário. Saiba disso!
Não diga que não se importa, pois de fato importa sim. Com o tempo talvez você descubra e concorde comigo. Não faça de conta que não lhe fará falta, que o que importa é dividir. Pense nos outros, não estou lhe dizendo para esquecer. Aliás, quero sim que se lembre, para saber quem será o próximo a pisar em você. Não é uma questão de moral ou integridade, é uma questão de sobrevivência mesmo.

Por isso meu amigo, faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

meu tempo.

Ás vezes a vida nos prega umas que parece brincadeira do destino ou teste de conduta, como um empurrão para que se certifique que estamos de olhos abertos... Pois, talvez tenha sido um piscar de olhos prolongado, uma tentativa de vôo frustrada.

Me sinto em meio a uma cortina de fumaça, completamente vazia de credos e ideologias, é como se o tempo deixasse de existir em unidade e se tornasse meu melhor amigo. E assim eu quisesse dividi-lo com as pessoas mais importantes da minha vida, e compartilhar tudo que me faz melhor com os melhores.

Como se assim, nesses tropeços eu descobrisse o que de fato importa pra mim. Como num solavanco, a realidade retornasse para perto de meus princípios e o cortina se abrisse mais uma vez. Para que o tempo vá de novo comigo e com aqueles que realmente escolhi.

domingo, 13 de setembro de 2009