quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Grandes cineastas brasileiros em debate no 8º SMVC: Glauber Rocha e Sílvio Tendler
“Tem gente que faz filme sobre personagens comuns eu faço sobre personagens históricos”, declaração de Tendler, fazendo referência ao seu filme, exibido hoje no Theatro Treze de Maio.
Sem duvida, a fala do documentarista figurão justifica muito de sua trajetória no cinema.
Bem aos moldes do fazer cineclubista o bate-papo com Tendler se fez de forma horizontal e descontraída. Com ele no palco, estava Luiz Alberto Cassol. O publico infelizmente pequeno, tinha o interesse daqueles que de fato são apreciadores da sétima arte. “Não importa o número de pessoas, falo para aqueles que realmente desejam ouvir”.
No encontro, o documentarista atendeu a diversos debates e discussões. Falou da analogia de labirinto no nome do longa, por Glauber ser uma pessoa intuitiva e inesperada. “Por isso o labirinto, construí imagens e depoimentos que tentavam resgatar Glauber, e de repente ele estava lá no outro caminho”.
Com uma obra pouco compreendida que por ora versa o bitoresco, o cineasta nordestino influenciou muita gente boa como o diretor de Cidades dos Sonhos, David Linch. “Eu mesmo não gostava de assistir ao Glauber, achava meio chato, louco demais. Resolvi fazer o filme para aprender a gostar”
Segundo Tendler é preciso muito mais que assistir aos filmes, apurar o olhar cinematográfico para compreender produções como as de Glauber. “Ele queria mesmo fazer cenas desconexas, instigar o pensamento.”Depois de uma hora e meia, Cassol então encerrou o bate-papo cumprimentando ao cineasta e a todos os presentes, com a frase: “o festival já valeu a pena só por este momento”. E como valeu!
Sem duvida, a fala do documentarista figurão justifica muito de sua trajetória no cinema.
Bem aos moldes do fazer cineclubista o bate-papo com Tendler se fez de forma horizontal e descontraída. Com ele no palco, estava Luiz Alberto Cassol. O publico infelizmente pequeno, tinha o interesse daqueles que de fato são apreciadores da sétima arte. “Não importa o número de pessoas, falo para aqueles que realmente desejam ouvir”.
No encontro, o documentarista atendeu a diversos debates e discussões. Falou da analogia de labirinto no nome do longa, por Glauber ser uma pessoa intuitiva e inesperada. “Por isso o labirinto, construí imagens e depoimentos que tentavam resgatar Glauber, e de repente ele estava lá no outro caminho”.
Com uma obra pouco compreendida que por ora versa o bitoresco, o cineasta nordestino influenciou muita gente boa como o diretor de Cidades dos Sonhos, David Linch. “Eu mesmo não gostava de assistir ao Glauber, achava meio chato, louco demais. Resolvi fazer o filme para aprender a gostar”
Segundo Tendler é preciso muito mais que assistir aos filmes, apurar o olhar cinematográfico para compreender produções como as de Glauber. “Ele queria mesmo fazer cenas desconexas, instigar o pensamento.”Depois de uma hora e meia, Cassol então encerrou o bate-papo cumprimentando ao cineasta e a todos os presentes, com a frase: “o festival já valeu a pena só por este momento”. E como valeu!
Sílvio Tendler - Homenageado Nacional
Um dos principais documentaristas do país, Silvio Tendler receberá mais uma homenagem em sua vasta carreira. Isso porque o seu nome será o destaque nacional da oitava edição do Santa Maria Vídeo e Cinema, que acontece em entre os dias 23 e 28 de novembro de 2009.
Tendler, cuja obra conta com 40 filmes entre curtas, médias e longas-metragens, tem dentre suas produções os longas "Os Anos JK- Uma trajetória política" (1980), "O Mundo Mágico dos Trapalhões" (1981) e "Jango" (1984), que alcançaram as maiores bilheterias entre documentários na história do cinema brasileiro.
Seu trabalho mais recente, "Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá", ganhou o Prêmio de Melhor Filme do Júri Popular na última edição do Festival de Brasília. Já seu tão esperado "Utopia e a Barbárie" recebeu o prêmio de Melhor Direção e Montagem do 4º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino.
No que se refere a premiações e homenagens, o documentarista tem uma bagagem invejável, constam em seu currículo títulos como: Prêmio Salvador Allende no Festival de Trieste, Itália, Homenageado no X Festival de Cinema Brasileiro em Paris, Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, entre muitos outros.
Tendler, cuja obra conta com 40 filmes entre curtas, médias e longas-metragens, tem dentre suas produções os longas "Os Anos JK- Uma trajetória política" (1980), "O Mundo Mágico dos Trapalhões" (1981) e "Jango" (1984), que alcançaram as maiores bilheterias entre documentários na história do cinema brasileiro.
Seu trabalho mais recente, "Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá", ganhou o Prêmio de Melhor Filme do Júri Popular na última edição do Festival de Brasília. Já seu tão esperado "Utopia e a Barbárie" recebeu o prêmio de Melhor Direção e Montagem do 4º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino.
No que se refere a premiações e homenagens, o documentarista tem uma bagagem invejável, constam em seu currículo títulos como: Prêmio Salvador Allende no Festival de Trieste, Itália, Homenageado no X Festival de Cinema Brasileiro em Paris, Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, entre muitos outros.
8º Santa Maria Vídeo e Cinema

8º Santa Maria Vídeo e Cinema- Debates, oficinas e mostras competitivas promovem a democratização do audiovisual
A oitava edição do Festival Santa Maria Vídeo e Cinema - SMVC, está sendo realizada de 23 a 28 de novembro de 2009. Nesta edição, o tema é “Da película ao pixel”, e o objetivo do Festival segue o mesmo: democratizar o acesso do público ao audiovisual.
O SMVC deste ano, conta com um recorde: mais de 390 produções foram inscritas para as Mostras Competitivas, nas categorias animação, documentário, ficção e videoclipes. O homenageado nacional desta edição é o cineasta, Sílvio Tendler, a homenageada local é a atriz, Manuela do Monte. O diretor convidado é o santa-mariense, Paulo Nascimento.
Confira a programação e cobertura completa do Festival no site: www.smvc.org.br
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Ah! Se toda sexta-feira 13 fosse assim

Era sexta-feira 13, o mundo lá fora parecia desabar em meio a um vento forte que anunciava mais um temporal. Tudo colaborava para uma noite típica de horror, como sugere o dia cabalístico. Mas, para as mais de 200 pessoas que lotaram o Teatro Treze de Maio, o clima era exatamente o oposto. Beth Goulart e Clarice Lispector – já explico – fizeram daquela noite, extasiante para olhos, ouvidos e corações de todos os presentes.
Reflexivo e instigante, o espetáculo Simplesmente Eu, Clarice Lispector de direção, texto e interpretação – e que interpretação – da estonteante Beth Goulart trouxe ao palco algumas das tantas mulheres que habitavam a mente de Clarice. Através de falas emocionantes, e da intensa atuação de Beth, a peça reconstruiu diversos momentos da vida e obra da escritora.
Uma mulher apaixonada, a mãe de Deus, uma dona de casa, todas elas foram trazidas para muito perto do público que descobriu se identificar ainda mais com os textos de Clarisse, que de fato através de seu tom intimista falava de todos nós.
Bem mais que uma homenagem a escritora brasileira nascida na Ucrânia, o espetáculo trouxe nas personagens de Clarice todo o encanto e profundidade de sua obra. Contou com figurino e iluminação impecáveis também.
Ainda, no fechar da cortinas do teatro, Beth se postou frente a toda platéia e deu inicio a um bate-papo que foi muito além do espetáculo, falou da vida, do passado, do futuro e tudo mais que Clarice nos trouxe em seus textos.
Sem dúvida, uma sexta-feira 13, que ficará na memória não pelas crendices que rodeiam a data, mas pela noite especial que foi. Trouxe arte, leitura e reflexão para junto de todos aqueles que estiveram no teatro. Uma sexta-feira 13 diferente de todas, ainda bem.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sobrevivemos há tanto tempo
Eu ando meio sem rumo, distante daquilo que eu era. A espera de um motivo, de uma explicação. Querendo voltar para um lugar seguro. Querendo encontrar aquela porta que há tanto andou fechada.
Ir para um tempo repetido, empoeirado. Algo que me sugira o passado ao contrário do inovador. Acho que já não tenho perspectivas. Talvez esperanças.
Queria então a leveza de um pijama rasgado, o sabor de um jazz ao pé do ouvido.
Nem desistir, nem recomeçar... Não quero mais sustentar o peso da existência, vou é recriar a significância. Olhar as rugas do tempo e não querer tapar.
Abandonar as teoria, os princípios, os escrúpulos. Puxar um banco, esticar as pernas e continuar...
Ir para um tempo repetido, empoeirado. Algo que me sugira o passado ao contrário do inovador. Acho que já não tenho perspectivas. Talvez esperanças.
Queria então a leveza de um pijama rasgado, o sabor de um jazz ao pé do ouvido.
Nem desistir, nem recomeçar... Não quero mais sustentar o peso da existência, vou é recriar a significância. Olhar as rugas do tempo e não querer tapar.
Abandonar as teoria, os princípios, os escrúpulos. Puxar um banco, esticar as pernas e continuar...
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
princesas

Essa semana assisti a um filme espanhol chamado “Princesas” de 2005, que dentre a ótima trilha sonora, típica das películas latinas, os diálogos puros e cheios de frases de efeito me tocaram a fundo.
O filme está longe de ser genial, mas se torna lindo por ser extremamente reflexivo e tratar com tamanha delicadeza um roteiro triste e cruel. Afinal de contas a vida daquelas mulheres, está mais perto da nossa realidade do que se imagina. Seus sonhos são tão normais.
O filme retrata a vida de Caye, uma mulher de classe média, que ganha a vida como prostituta, escondida da família. Passa os dias em um salão de beleza se arrumando para as longas noites e falando mal das imigrantes que roubaram seus clientes. Em certa circunstância, ela acaba conhecendo uma dessas "profissionais estrangeiras", a dominicana Zulema, com quem acaba desenvolvendo uma rara amizade.
As amigas dividem as angustias que a vida lhes proporciona. Preenchem uma a tarde da outra com cafés regados a desabafos que buscam aconchego e paz em algum lugar distante... em algum tempo futuro. São demonstrações de fragilidade interpretadas de uma maneira tão real que tocam no ponto mais fraco de quem está do outro lado da tela: o sentimento de identificação.
Caye comenta – aí atenção para os seus olhos em cada fala – de seus dias de puta e do grande dia que ela sonha em viver, o dia de princesa. E isso não envolve nenhum luxo, ela só queria que o namorado a buscasse no trabalho. Nisso se resumia sua felicidade.
Outro diálogo emocionante é quando Zulema fala das saudades que sente do filho que ficou no seu país de origem, e Caye fala da tristeza que é não sentir saudades. As amigas discorrem então como esse é um sentimento controverso: dói sentir saudades, mas dói mais ainda não sentir. A falta de saudade representa um vazio, como se não houvesse momentos bons a serem lembrados...
Enfim, tem mais mil passagens lindas. Vale muito a pena conhecer um pouco mais de Caye e Zulema. Com o decorrer da trama você vai entender o porquê do nome do filme. Elas sim são princesas...
Abaixo 5 Razones de Manu Chao, parte da trilha:
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
seja egoísta
Se eu pudesse lhe dar um conselho, meu amigo, diria: seja egoísta. É o único jeito de não pisarem em você. Fique certo!
Nunca tenha medo que lhe julguem por isso. Mas não deixe de jeito nenhum que pisem em você. Não abra mão de seu tempo, gosto ou interesse. Não faça se não for por você mesmo. Azar que reparem! Se você não for individualista, não vai andar com a humanidade. Se você não for, alguém vai ser. E mais uma vez vão pisar em você. Então peço que não deixe que façam isso. Os danos são difíceis de reparar, lhe digo. É algo que se torna crônico, cíclico, e só você demora a perceber. Não se arrisque a fazer o bem, outrora lhe farão o contrário. Saiba disso!
Não diga que não se importa, pois de fato importa sim. Com o tempo talvez você descubra e concorde comigo. Não faça de conta que não lhe fará falta, que o que importa é dividir. Pense nos outros, não estou lhe dizendo para esquecer. Aliás, quero sim que se lembre, para saber quem será o próximo a pisar em você. Não é uma questão de moral ou integridade, é uma questão de sobrevivência mesmo.
Por isso meu amigo, faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço...
Nunca tenha medo que lhe julguem por isso. Mas não deixe de jeito nenhum que pisem em você. Não abra mão de seu tempo, gosto ou interesse. Não faça se não for por você mesmo. Azar que reparem! Se você não for individualista, não vai andar com a humanidade. Se você não for, alguém vai ser. E mais uma vez vão pisar em você. Então peço que não deixe que façam isso. Os danos são difíceis de reparar, lhe digo. É algo que se torna crônico, cíclico, e só você demora a perceber. Não se arrisque a fazer o bem, outrora lhe farão o contrário. Saiba disso!
Não diga que não se importa, pois de fato importa sim. Com o tempo talvez você descubra e concorde comigo. Não faça de conta que não lhe fará falta, que o que importa é dividir. Pense nos outros, não estou lhe dizendo para esquecer. Aliás, quero sim que se lembre, para saber quem será o próximo a pisar em você. Não é uma questão de moral ou integridade, é uma questão de sobrevivência mesmo.
Por isso meu amigo, faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço...
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
meu tempo.
Ás vezes a vida nos prega umas que parece brincadeira do destino ou teste de conduta, como um empurrão para que se certifique que estamos de olhos abertos... Pois, talvez tenha sido um piscar de olhos prolongado, uma tentativa de vôo frustrada.
Me sinto em meio a uma cortina de fumaça, completamente vazia de credos e ideologias, é como se o tempo deixasse de existir em unidade e se tornasse meu melhor amigo. E assim eu quisesse dividi-lo com as pessoas mais importantes da minha vida, e compartilhar tudo que me faz melhor com os melhores.
Como se assim, nesses tropeços eu descobrisse o que de fato importa pra mim. Como num solavanco, a realidade retornasse para perto de meus princípios e o cortina se abrisse mais uma vez. Para que o tempo vá de novo comigo e com aqueles que realmente escolhi.
Me sinto em meio a uma cortina de fumaça, completamente vazia de credos e ideologias, é como se o tempo deixasse de existir em unidade e se tornasse meu melhor amigo. E assim eu quisesse dividi-lo com as pessoas mais importantes da minha vida, e compartilhar tudo que me faz melhor com os melhores.
Como se assim, nesses tropeços eu descobrisse o que de fato importa pra mim. Como num solavanco, a realidade retornasse para perto de meus princípios e o cortina se abrisse mais uma vez. Para que o tempo vá de novo comigo e com aqueles que realmente escolhi.
domingo, 13 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
um dia a menos
Tenho que lhes dizer que hoje não me sinto muito bem. Temo decepcionar o leitor, mas acordei estranha, desconfortável, não queria ter acordado. Sair da cama foi algo tão doloroso quanto arrancar aquele curativo do meu joelho aos 11 anos. Era exatamente a mesma sensação como se a fita adesiva já fizesse parte de mim. Hoje, eram as cobertas.
Elas me imploravam que ficasse ali pelo resto do dia, ou talvez da vida. Pareciam me proteger de algo terrível que me esperava há metros lá fora. Cheguei a verificar minha temperatura. O apito do termômetro digital avisava, eu estava prestes a conhecer o motivo do meu desânimo. Não! Trinta e sete e dois! Perfeitamente saudável. Mas eu realmente não me sentia como sempre, era algo que vinha de dentro de mim, e que só não afetou minha temperatura corporal.
Após uma verdadeira guerra psicologia arranquei o curativo! Foi de uma vez só, mal pude reclamar da dor, tamanha minha agilidade (eu realmente sempre fui muito rápida com as mãos). Estava em pé agora, mas dessa vez, ao contrário da minha infância, sair da cama não me fez sentir nova. Aliás, me sentia perdida, diante do meu quarto e do mundo que me esperava lá fora.
Que que eu faço aqui?
Voltei pra cama e esperei o dia acabar...
Elas me imploravam que ficasse ali pelo resto do dia, ou talvez da vida. Pareciam me proteger de algo terrível que me esperava há metros lá fora. Cheguei a verificar minha temperatura. O apito do termômetro digital avisava, eu estava prestes a conhecer o motivo do meu desânimo. Não! Trinta e sete e dois! Perfeitamente saudável. Mas eu realmente não me sentia como sempre, era algo que vinha de dentro de mim, e que só não afetou minha temperatura corporal.
Após uma verdadeira guerra psicologia arranquei o curativo! Foi de uma vez só, mal pude reclamar da dor, tamanha minha agilidade (eu realmente sempre fui muito rápida com as mãos). Estava em pé agora, mas dessa vez, ao contrário da minha infância, sair da cama não me fez sentir nova. Aliás, me sentia perdida, diante do meu quarto e do mundo que me esperava lá fora.
Que que eu faço aqui?
Voltei pra cama e esperei o dia acabar...
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
instantes apagados
Foi assim que começou, de súbito e tristemente.
Ela não havia percebido, mas agora simplesmente não havia mais.
Ele se foi. Fatalmente partiu.
Aquela condição intacta teria então acabado.
Também em seu peito o tempo se desfez.
Que coisa triste, que manhã triste aquela.
Aonde ele fora? - se pergunta ela.
Sábia e fragilizada, pois o porquê não devia ser perguntado.
Protegida agora daquilo que se repete, sofre em dor calada e ausente.
Dilatavam-se então, infelizmente as lembranças de uma época perdida.
Como se fosse acabar agora e de vez.
Então ela sofreu e chorou , imitando o poeta.
Com o rosto úmido e salgado, foi assim que ele chegou.
No instante em que ela esqueceu enfim.
No momento, compulsivo pelo perdão.
Tomado pelo seu desdizer, ele foi ao chão, de joelhos aos pés dela.
Tarde demais, o pecado já o havia condenado.
Como por outras coisas e vezes, ele havia perdido sua eleita.
E reprimindo o seu pesar, ele não chorou.
Ela em pé continuou intocada.
E foi assim que terminou.
Ela mais uma vez mentiu, ele como de costume voltou.
E fatalmente ambos fingiram como numa história infantil.
Sabendo que não foi o fim de um conto apaixonado
Mas de um tempo de amor que já se foi.
Ela não havia percebido, mas agora simplesmente não havia mais.
Ele se foi. Fatalmente partiu.
Aquela condição intacta teria então acabado.
Também em seu peito o tempo se desfez.
Que coisa triste, que manhã triste aquela.
Aonde ele fora? - se pergunta ela.
Sábia e fragilizada, pois o porquê não devia ser perguntado.
Protegida agora daquilo que se repete, sofre em dor calada e ausente.
Dilatavam-se então, infelizmente as lembranças de uma época perdida.
Como se fosse acabar agora e de vez.
Então ela sofreu e chorou , imitando o poeta.
Com o rosto úmido e salgado, foi assim que ele chegou.
No instante em que ela esqueceu enfim.
No momento, compulsivo pelo perdão.
Tomado pelo seu desdizer, ele foi ao chão, de joelhos aos pés dela.
Tarde demais, o pecado já o havia condenado.
Como por outras coisas e vezes, ele havia perdido sua eleita.
E reprimindo o seu pesar, ele não chorou.
Ela em pé continuou intocada.
E foi assim que terminou.
Ela mais uma vez mentiu, ele como de costume voltou.
E fatalmente ambos fingiram como numa história infantil.
Sabendo que não foi o fim de um conto apaixonado
Mas de um tempo de amor que já se foi.
nada comum
Numas dessas atividades mundanas como comprar sorvete no Mc, uma amiga descobriu algo a mais em mim. Não que eu não soubesse desse meu jeito, mas nunca tinha parado para pensar eu acho. E realmente foi inusitado, porque comecei a me questionar em uma série de valores.
“Ai Miti, como tu é atípica!”, disse ela.
ATÍPICO. Adj. Que se afasta do normal, do típico.
De fato. Quer algo mais anormal do que uma pessoa não gostar de coca-cola? Então, me revelo logo aí... e em muitas outras coisas.
Realmente meu gosto é duvidoso para muitos. Uso bolsas garimpadas a 20 reais, carteiras da minha avó e blusas listradas que minha mãe ia pôr fora. Deve ser por isso as expressões nada animadoras dela ao me dar opinião de roupa. “É Michelle, tu tem um estilo diferente”. Meu interesse pela arte também não é muito convencional, aliás, prefiro chamar de abrangente. Não que eu não goste do popular, pelo contrário só prefiro não me mostrar tão comum. Pois talvez não seja mesmo.
Assim repensei algumas atitudes minhas e certas emoções que não reconheço em muitas pessoas. E isso não me frustra nenhum pouco. Porque convencional ou não todos nós somamos de alguma forma. E o legal é se perceber nesse meio todo.
Que bom existe todos os tipos de gente...
“Ai Miti, como tu é atípica!”, disse ela.
ATÍPICO. Adj. Que se afasta do normal, do típico.
De fato. Quer algo mais anormal do que uma pessoa não gostar de coca-cola? Então, me revelo logo aí... e em muitas outras coisas.
Realmente meu gosto é duvidoso para muitos. Uso bolsas garimpadas a 20 reais, carteiras da minha avó e blusas listradas que minha mãe ia pôr fora. Deve ser por isso as expressões nada animadoras dela ao me dar opinião de roupa. “É Michelle, tu tem um estilo diferente”. Meu interesse pela arte também não é muito convencional, aliás, prefiro chamar de abrangente. Não que eu não goste do popular, pelo contrário só prefiro não me mostrar tão comum. Pois talvez não seja mesmo.
Assim repensei algumas atitudes minhas e certas emoções que não reconheço em muitas pessoas. E isso não me frustra nenhum pouco. Porque convencional ou não todos nós somamos de alguma forma. E o legal é se perceber nesse meio todo.
Que bom existe todos os tipos de gente...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
de viver aos poucos.
Dia desses uma amiga ao me falar de outra que há pouco tempo passara por uma perda muito grande, citou a seguinte frase: “ela está vivendo os pouquinhos”. E isso me fez pensar. Não somente por eu ser uma pessoa reflexiva, pois de fato tudo me instiga o pensamento, mas pela frágil densidade que isso me representou.
Que seria viver aos poucos? Penso na dificuldade em ir de vagar quando tudo passa tão depressa por nós. Em tempos assim tudo parecer transcender um pouco ao real.
Essa amiga então que falávamos, perdeu recentemente a referência que todos temos de família. Perdeu talvez o chão que lhe mostrou tantas vezes a velocidade dos passos que devia dar. Perdeu para a morte, vivendo no ritmo que a vida lhe impôs viver.
Lembro-me agora de um dos títulos mais brilhantes da história do cinema: “A Insustentável Leveza do Ser“. Filme de Phillip Kaufman (1988) cuja trama pouco tem a ver com a história dessa amiga minha, no entanto ambos os protagonistas sentem suas angústias em meio a um turbilhão de vozes – ele na invasão soviética em 1968, ela na volatilidade de 2009 – ambos no âmago de suas existências.
Ela então optou por viver aos poucos, ele eu não lembro.
Mas que “viver aos poucos” signifique recomeçar, reerguer-se, colocar-se a postos de novo. Porque realmente correr com a vida é coisa perigosa. Trocam-se os pés, tropeça-se nas pedras e ela parece continuar passando. Deixando-nos cada vez mais mortais frente ao imediatismo da vida.
Vivamos aos pouquinhos então, vivamos mais longe quem sabe... Parece assim, mais fácil sermos de fato mais humanos.
Que seria viver aos poucos? Penso na dificuldade em ir de vagar quando tudo passa tão depressa por nós. Em tempos assim tudo parecer transcender um pouco ao real.
Essa amiga então que falávamos, perdeu recentemente a referência que todos temos de família. Perdeu talvez o chão que lhe mostrou tantas vezes a velocidade dos passos que devia dar. Perdeu para a morte, vivendo no ritmo que a vida lhe impôs viver.
Lembro-me agora de um dos títulos mais brilhantes da história do cinema: “A Insustentável Leveza do Ser“. Filme de Phillip Kaufman (1988) cuja trama pouco tem a ver com a história dessa amiga minha, no entanto ambos os protagonistas sentem suas angústias em meio a um turbilhão de vozes – ele na invasão soviética em 1968, ela na volatilidade de 2009 – ambos no âmago de suas existências.
Ela então optou por viver aos poucos, ele eu não lembro.
Mas que “viver aos poucos” signifique recomeçar, reerguer-se, colocar-se a postos de novo. Porque realmente correr com a vida é coisa perigosa. Trocam-se os pés, tropeça-se nas pedras e ela parece continuar passando. Deixando-nos cada vez mais mortais frente ao imediatismo da vida.
Vivamos aos pouquinhos então, vivamos mais longe quem sabe... Parece assim, mais fácil sermos de fato mais humanos.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
saudades...
Hoje acordei sentindo saudades de um lugar estranho, como se pessoas desconhecidas me fizessem falta. Sentia um cheiro que lembrava alguma coisa distante e me levava pra um tempo de nostalgias. Era como se em meu peito milhões de lembranças começassem a brotar. De um brinquedo velho, de um sabor misturado, de um abraço encaixado, das roupas de verão.
Talvez meu sono tenha se perdido por isso. Um desconforto, um descontento. Os lençóis pareciam revirados, o pijama me apertava como um grito contido. Era um sentimento latente, um sentimento que saía dos pensamentos mais do que do coração. Era uma sensação estranha, uma saudade de coisas que eu não vivi.
Acordei assim, em meio a um céu cinza e encoberto de melancolias.
Acordei assim, mesmo sem ter dormido.
Talvez meu sono tenha se perdido por isso. Um desconforto, um descontento. Os lençóis pareciam revirados, o pijama me apertava como um grito contido. Era um sentimento latente, um sentimento que saía dos pensamentos mais do que do coração. Era uma sensação estranha, uma saudade de coisas que eu não vivi.
Acordei assim, em meio a um céu cinza e encoberto de melancolias.
Acordei assim, mesmo sem ter dormido.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
ando tão à flor da pele...
“Ando tão à flor da pele” que meus sentimentos parecem táteis e aveludados. Meus pensamentos mais acelerados e poluídos. Como o trânsito de automóveis na metrópole e das crianças pelo mundo.
Zeca Baleiro chegava a “chorar com um beijo de novela”... Minha intensidade não chega aí, aliás, pouco tenho visto novelas. Fico no meu mundo de idéias e formas pouco ajustadas para mim. Extravaso aqui e pisando firme no chão. Num livro aberto em cima da mesa ou num copo de cerveja.
“Ando tão à flor da pele” que sinto pulsão em meus instintos e minha vontade parece deixar a consciência se esconder em jargões. Minhas unhas vermelhas já não fazem mais sentido, nem minha prece por um desejo vazio e mal acabado.
“Ando tão à flor da pele” que meus olhos parecem não confiar mais em mim. A miséria já não me comove mais e a liquidez das relações me dá enjôo.Tenho chutado pedras na rua sem me importar com a direção.
“Ando tão à flor da pele” que perco o rumo por um segundo e meus ideais com a ventania nas ruas. Assisto patologias de um tempo passado a me perseguirem como se quisessem me avisar de alguma coisa. Como se fossem coletivas ao mundo todo. E interiores só a mim.
“Ando tão à flor da pele” que este momento parece nunca acabar.
"Ando tão à flor da pele que meu desejo se confunde com o vontade de não ser"
Zeca Baleiro chegava a “chorar com um beijo de novela”... Minha intensidade não chega aí, aliás, pouco tenho visto novelas. Fico no meu mundo de idéias e formas pouco ajustadas para mim. Extravaso aqui e pisando firme no chão. Num livro aberto em cima da mesa ou num copo de cerveja.
“Ando tão à flor da pele” que sinto pulsão em meus instintos e minha vontade parece deixar a consciência se esconder em jargões. Minhas unhas vermelhas já não fazem mais sentido, nem minha prece por um desejo vazio e mal acabado.
“Ando tão à flor da pele” que meus olhos parecem não confiar mais em mim. A miséria já não me comove mais e a liquidez das relações me dá enjôo.Tenho chutado pedras na rua sem me importar com a direção.
“Ando tão à flor da pele” que perco o rumo por um segundo e meus ideais com a ventania nas ruas. Assisto patologias de um tempo passado a me perseguirem como se quisessem me avisar de alguma coisa. Como se fossem coletivas ao mundo todo. E interiores só a mim.
“Ando tão à flor da pele” que este momento parece nunca acabar.
"Ando tão à flor da pele que meu desejo se confunde com o vontade de não ser"
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Esquadros
Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome. Cores de Almodóvar, cores de Frida Khalo, cores. Passeio pelo escuro, eu presto muita atenção no que meu irmão ouve. E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora. Eu quero chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus. Eu ando pelo mundo divertindo gente chorando ao telefone, e vendo bater a fome nos meninos que tem fome.
Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela janela. Quem é ela, quem é ela? Eu vejo tudo em quadrado, remoto controle.
Eu ando pelo mundo e os automóveis correm para quê? As crianças correm para onde? Transito entre dos lados, de um lado, eu gosto de opostos, exponho meu modo, me mostro, eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos cadê, minha alegria, meu cansaço. Meu amor cadê você, eu acordei, não tem ninguém ao lado.
Adriana Calcanhoto
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
...
"Tinha suspirado.
Tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades.
E o seu orgulho dilatado em seu calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo do estímulo por si mesma
E parecia-lhe que entrava enfim uma existência superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
Arnaldo Antunes
Tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades.
E o seu orgulho dilatado em seu calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo do estímulo por si mesma
E parecia-lhe que entrava enfim uma existência superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu intuito diferente
Cada passo conduzia um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
Arnaldo Antunes
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Kramer vs. Kramer

Numa dessas tardes frias, que nada me tira de casa, o pote de pipoca e o cobertor foram minha companhia. Afinal nada melhor quando lá fora o sol não dá as caras e a temperatura é de um freezer. Na TV, Kramer vs. Kramer de Robert Benton me rendeu os olhos inchados para o resto do dia e uma sensação de ternura que eu desconhecia... Explicarei melhor:
Kramer vs. Kramer é um drama de 1979, vencedor de cinco Oscars: Melhor Filme; Melhor Diretor; Melhor Ator (Dustin Hoffman); Melhor Atriz Coadjuvante (Maryl Streep) e Melhor Roteiro Adaptado (da obra homônima de Avery Corman). Precisa dizer mais? Não, mas direi mesmo assim.
Joanna (Maryl Streep) cansada da vida que leva ao lado de Ted Kramer (Dustin Hoffman) resolve sair de casa, deixando o filho do casal, Billy (Justin Henry) com o pai. Ted que se preocupava somente com a carreira se vê dividido entre o trabalho, o cuidado com o filho e as tarefas domésticas. Aos poucos ele consegue conciliar as novas responsabilidades. É aí que Joanna reaparece exigindo a guarda da criança. Fascinado pelos encantos de ser pai, Ted se recusa e os dois vão para o tribunal lutar pela custódia do pequeno Billy.
Para os dias de hoje o tema pode parecer comum, banal. Mas o filme é de uma sensibilidade ímpar. E mais, para os anos 70-80 a relação familiar ali explorada é algo inovador.
Uma mãe abandonar tudo, casa e filho pequeno? O pai ter que desempenhar o papel de pai e mãe? Aparecer todo bobo? Perder o emprego para cuidar do filho? Essa relação de pai e filho era explorada de uma maneira diferente naquela época. Outro ponto inquestionável do filme são as atuações:
Dustin Hoffman sensacional, recém separado contribui muito para a naturalidade do roteiro; Maryl Streep, a gente nem se dá conta que ela aparece em pouquíssimo no filme! Vale pela cena do tribunal que a própria atriz improvisou o discurso; e claro o pequeno Justin Henry, lindo e fofo e como falam na linguagem cinematográfica, "nasceu pronto". Certamente uma das atuações infantis mais convincentes que já assisti.
Kramer vs. Kramer pode ser "mamão com açúcar", é comovente, porém não tão leve quanto parece. Benton torna o simples em fantástico. Quem achou um drama banal talvez não tenha a sensibilidade suficiente para tocar a essência do filme. Pois, tratar de forma tão pura as delicadas e conturbadas relações de família, não é algo tão fácil assim. Vale à pena assistir.
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